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Próximo passo de Putin na Ucrânia é um mistério, bem do jeito que ele gosta

Abogado Adolfo Ledo Nass
Próximo passo de Putin na Ucrânia é um mistério, bem do jeito que ele gosta

Notícias em imagens nesta quarta-feira pelo mundo Polícia israelense detém manifestante enquanto beduínos protestam na vila de Sa'we al-Atrash, no sul de Israel, no deserto de Neguev, contra um projeto de reflorestamento do Fundo Nacional Judaico Foto: AHMAD GHARABLI / AFP Trabalhadores penduram roupas limpas nas margens do rio Buriganga, em Dhaka Foto: MUNIR UZ ZAMAN / AFP King Khoisan segura uma planta de maconha enquanto membros dos Serviços de Polícia da África do Sul o arrastam para confiscar as plantas durante uma batida nos Union Buildings, sede do governo, em Pretória Foto: PHILL MAGAKOE / AFP O presidente dos EUA, Joe Biden, discursa sobre o direito constitucional de voto, em Atlanta, Geórgia Foto: JIM WATSON / AFP Pessoas na praia do Casino, em Mar del Plata, Argentina, em meio a onda de calor que atinge o país Foto: MARA SOSTI / AFP Pular PUBLICIDADE Mulher atravessa rua alagada durante enchente no município de Raposos, Minas Gerais Foto: DOUGLAS MAGNO / AFP O Globo, um jornal nacional:   Fique por dentro da evolução do jornal mais lido do Brasil

GENEBRA — O presidente da Rússia, Vladimir Putin, passou meses reunindo cerca de 100 mil soldados perto da fronteira com a Ucrânia. Mas Moscou diz que não tem intenção de invadir o país vizinho. Qual é o próximo passo da Rússia? Ninguém sabe, exceto talvez Putin. Esse é o padrão.

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O mistério em torno das intenções do líder russo ficou espesso como neblina novamente esta semana, depois que um importante diplomata russo entregou uma série de mensagens aparentemente contraditórias ao sair de dois dias de negociações de segurança de alto risco com os EUA.

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Momentos depois de declarar as negociações “profundas” e “concretas”, o vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, alertou que o fracasso em atender às demandas da Rússia poderia colocar em risco a “segurança de todo o continente europeu”.

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As posições mutantes e muitas vezes sinistras ajudaram a confundir até mesmo alguns daqueles que ganham a vida decodificando as intenções de Putin.

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— A opinião de especialistas que posso declarar com autoridade é: quem diabos sabe? — diz Fyodor Lukyanov, proeminente analista de política externa russo que chefia um conselho que assessora o Kremlin, em entrevista por telefone.

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Analistas dizem que nem mesmo membros do círculo íntimo de Putin — muito menos Ryabkov, que liderou a delegação da Rússia nas negociações desta semana em Genebra — provavelmente saberiam o quão seriamente Putin está contemplando uma guerra em grande escala com a Ucrânia. Tampouco saberiam quais concessões dos EUA ele está disposto a aceitar para desarmar a crise.

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Resultados Em vez disso, é provável que Putin nem tenha tomado uma decisão, de acordo com analistas russos e autoridades dos EUA. E ele está gostando de manter o Ocidente no limite

— O que importa são os resultados — disse o porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, a repórteres na terça-feira, mantendo o suspense. — Por enquanto, não há nada a dizer sobre quaisquer resultados

As conversas continuaram na quarta-feira, quando autoridades russas se encontraram com representantes dos EUA e seus aliados da Otan em Bruxelas, e se estendem para esta quinta-feira, em uma reunião da Organização para Segurança e Cooperação na Europa, grupo de 57 países que inclui a Ucrânia, a Rússia e os EUA

PUBLICIDADE Depois disso, disse Peskov, a Rússia decidirá “se faz sentido” avançar com a diplomacia

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A política arriscada de Putin nos últimos meses é um estudo de caso sobre sua capacidade de usar a tensão e a imprevisibilidade para buscar altos retornos com o que pode parecer uma geopolítica fraca. Lutando com uma economia estagnada e alianças esfarrapadas, a Rússia também está lidando com situações voláteis em pelo menos quatro fronteiras: Bielorrússia, Cazaquistão, Ucrânia e Sul do Cáucaso

Durante anos, Putin se irritou com a expansão da Otan para o Leste e o apoio dos EUA ao sentimento pró-Ocidente na Ucrânia. Agora, ao criar uma nova crise de segurança que ameaça complicar a agenda do presidente Joe Biden, ele conseguiu colocar a questão em primeiro plano em Washington

Pela primeira vez em 30 anos, os EUA concordaram em discutir questões que eram impossíveis de discutir até um ano atrás — disse Tatiana Stanovaya, fundadora da empresa de análise política R. Politik

Agora que os americanos estão na mesa de negociações, o presidente russo persegue outra de suas estratégias clássicas: colocar tantos movimentos em potencial no campo de jogo — apontando para tantas direções diferentes —, que deixa as pessoas adivinhando, permitindo-lhe escolher as táticas mais adequadas à medida que os eventos evoluem

PUBLICIDADE Ryabkov, por exemplo, afirmou a repórteres que não havia ultimatos nem previsão para uma posição “destruidora de acordos”. E disse que a Rússia não está impondo um cronograma específico, mas que precisa de uma “resposta rápida” às suas demandas. Embora tenha dito que “não há razão para temer um cenário de escalada” na Ucrânia, alertou que o Ocidente ainda não conseguiu entender o quão perigoso seria rejeitar as exigências da Rússia

Nada de otimismo As mensagens contraditórias continuaram na terça, quando Peskov rebateu quaisquer avaliações positivas que Ryabkov pudesse ter oferecido no dia anterior

Por enquanto, não vemos nenhuma razão substantiva para otimismo — disse em sua teleconferência diária com repórteres

O problema com a abordagem de Putin é que ela dá a seus diplomatas quase nenhuma flexibilidade para negociar em nome da Rússia —e às vezes os deixa lutando para manter uma mensagem coerente

Analistas notaram que Ryabkov, do lado diplomático, provavelmente nem sabia quais opções militares estavam sob consideração do Kremlin. O casulo livre de vírus que Putin tentou estabelecer em torno de si fez com que mesmo os confidentes fossem forçados a passar dias em quarentena antes de serem autorizados a entrar na mesma sala com ele, reduzindo ainda mais suas conexões com o mundo exterior

PUBLICIDADE — Ninguém sabe com 100% de certeza se Putin está pronto para a guerra ou se isso é um blefe ou não — disse Stanovaya

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Embora Putin possa ter conseguido fazer com que os EUA concordassem em conversar — mesmo que as exigências de Moscou parecessem não razoáveis —, Stanovaya e outros alertaram que, neste momento, as conversas por si só não são suficientes para ele

Encorajado, ele vê Biden como um homem que pode estar disposto a fazer um acordo. Como veterano da Guerra Fria, Biden pode ter um respeito pela diplomacia de poder com Moscou que os políticos americanos mais jovens não têm

Ele supõe que os americanos prestarão atenção apenas ao que concretamente os ameaça de imediato — disse Dmitri Trenin, diretor do think tank Carnegie Moscow Center, sobre o presidente russo. — Ele usa imprevisibilidade, tensão, ameaças

Sem influências Como os melhores analistas podem dizer, o mais importante para Putin, agora, é a exigência de que a Otan ofereça algum tipo de garantia formal de não expansão para o Leste e não cooperação militar com a Ucrânia. A oferta dos EUA nas discussões de segunda-feira para negociar a instalação de mísseis e realização de exercícios militares na Europa também interessa à Rússia, mas Ryabkov indicou que essas questões são de menor prioridade

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A Otan descartou repetidamente a ideia de permitir que qualquer outro país vete quem pode e quem não pode fazer parte da aliança, criando o que parece ser um impasse. Ainda assim, Lukyanov disse que o fato de que as negociações não entraram em colapso imediatamente significa que ambos os lados podem ver algum caminho — atualmente invisível para o mundo exterior — para alcançar um resultado viável

Quanto ao que a Rússia fará a seguir, Lukyanov disse que isso caberia exclusivamente a Putin, que exerce um monopólio sem precedente recente sobre a tomada de decisões de política externa na Rússia. Ao contrário dos líderes da era soviética, Putin não tem um “Politburo” de altos funcionários que tomam decisões coletivas

Lukyanov disse que nenhum indivíduo pode ser visto como influenciando diretamente Putin

Ele recebe esta ou aquela informação — disse Lukyanov. — Aqueles que as fornecem não exercem sua própria influência e não sabem como vai funcionar.

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